domingo, julho 02, 2006

 

Praticando a reflexão!

Estive ausente nestes dias, pois o frio resolveu me presentear com uma bela crise rins. Não foi fácil, mas felizmente já passou.
Contudo quero dizer que apesar deste contratempo, não deixei de refletir e planejar minha prática pedagógica.E por isso minha pesquisa em relação à pergunta: O que significa conhecimento? já está em andamento na escola. Certamente no decorrer desta semana estarei postando alguns relatos e conclusões em relação às respostas dos alunos. Minha amostragem envolve alunos de 3ª a 8ª série, onde cada uma destas séries está representada por dez alunos.
Diante disso,gostaria de uma opinião: Será que esta amostragem será suficiente para se obter algumas conclusões? Enfim, vamos aguardar o resultado, ajudem-me.
Hoje também fiz uma participação no Fórum referente à reflexão do trabalho com PA e me senti envolvida com o que escrevi.Além de ler e contribuir em algumas reflexões feitas por meus colegas, também abordei um tema que nos preocupa a cada dia: a violência. E neste interím, acabei refletindo sobre nossa postura na escola. De que forma contribuimos para que isso aconteça?
E para responder esta pergunta tenho um relato a fazer: Há aproximadamente 45 dias recebemos em nossa escola um aluno. Quando chegou pode-se observar o quanto era desprovido de uma vida digna e básica de sobrevivência.
Enfim, o menino a cada dia foi apresentando dificuldades sérias de socialização, bem como, uma dinâmica familiar totalmente desestruturada, seja nos aspectos financeiros quanto psicológicos. E esta situação mexeu completamente com a comunidade escolar, principalmente os pais, pois seus filhos passaram a enfrentar certas agressões como empurrões e outras atitudes semelhantes, o que acarretou numa rejeição geral.Rejeição esta que não foi determinada somente pelo seu comportamento mas principalmente pela classe social a que pertence. Diante desta atitude os pais começaram a fazer pressão para que a escola o expulsasse do convívio com seus filhos, com o argumento de que além de perturbar o recinto ele poderá transmitir doenças aos seus filhos simplesmente pelo fato dele estar sempre sujo.
E nós em contrapartida estamos orientando a mãe a cada dia, ensinando-a inclusive as bases de higiene pessoal. Como orientadora vejo que ela precisa muito da nossa ajuda pois, de nada adiantaria cobrar a disciplina e higiene do seu filho se ela não teve a oportunidade de aprender nem para ela.
O problema é que os pais estão pressionando a escola cada vez mais, e eu comprei esta briga com o seguinte argumento e solicitação a eles: que tal vocês nos ajudarem a orientar esta mãe? Conversem com seus filhos para que eles compreendam e dêem o carinho que o mesmo precisa. Fiz a seguinte argumentação com uma determinada mãe: "Sua filha tem referência suficiente para se dar bem na escola, talvez ela nem precisará de nós para vencer na vida, mas nosso verdadeiro desafio enquanto escola é justamente orientar as crianças que não encontram lugar nem família para receber estas orientações".
Agora já consegui tomar as providências que "eu" enquanto educadora julgo corretas: Encaminhei esta familia para os programas sociais existentes na comunidade através do Conselho Tutelar, além de receber ajuda alimentícia esta mãe desenvolverá algumas habilidades para ter pelo menos a chance de atuar no mercado de trabalho, e assim, conseguir seu próprio sustento. Também o menino receberá tratamento gratuito com psicólogas da comunidade, onde todos da familia receberão a oportunidade de melhorar suas vidas. Sei que não será uma missão muito fácil para nós enquanto escola, pois o processo de mudança ocorrerá lentamente nesta criança. Tenho certeza que terei uma batalha bem árdua pela frente, mas prefiro ser odiada pelos demais pais do que encontrar futuramente este cidadão marginalizado e mendigando pelas ruas, o que importa é a oportunidade que estou lhe oferecendo, se mais tarde ele não quiser terei a certeza do dever cumprido enquanto cidadã e funcinária pública.
O que desejo refletir com isso, é que infelizmente está claro por que temos tantos indivíduos violentos nesta sociedade, o preconceito ainda predomina com muita força no meio social. É muito triste e chocante deparar-se com estas atitudes e este aluno não está em minhas mãos, por acaso, certamente tenho um dever a cumprir e uma semente a germinar.
Talvez o que relatei não seja interessante para ninguém, mas ele e tantos outros marginalizados têm sido o alvo das minhas incessantes revoltas e batalhas pedagógicas diárias, é necessário corrigir nossas posturas e acabar com a hipocrisia do faz de conta que ensina e do estereótipo de aluno desejado.
Eu não vou permitir que ele saia da escola, pois ela é uma instituição de ensino que deve fazer por merecer esta denominação, ou estará condenada à falência e nós estaremos à mercê destas trajédias presenciadas diariamente.
Desculpem-me o desabafo!

Comments:
Olá, Virginea

O verdadeiro desafio está nestes alunos e é aí que podemos fazer diferente.
Tenho a convicção de que o aluno poderá sair ganhando, mas, talvez até mais, os outros alunos e seus pais ao perceberem que há um esforço na direção da integração, aceitação e um voto de confiança num ser humano ainda em pleno desenvolvimento.
Deixo para ti minha frase favorita:
Nunca deixe que os fatos te afastem de uma boa idéia.
Paul Feyerabend
Abra@os, Iris
 
Oi Virginea, esse é o papel de um educador! Que bom que tens claro isso porque essa posição é que provocará a mudança, por mínima que seja. Há uma crença vivida por muitos e por mim: Se eu puder ajudar um só aluno já posso dizer que cumpri minha função na sociedade.Além disso,podemos olhar o fato relatado sob o ângulo dos outros alunos e outras familias. A vivência que tu estás,no momento quase obrigando,vai gerar uma diferença neles pois tb vão aprender e muito.
Todos têm algo a ensinar e a aprender.
Parabéns pela luta e tenha certeza de fazes o melgor.
Um abração
Bea
 
Oi Virginea!!!

Tu tens dúvida que este teu relato é interessante e muito significativo para todos nós?
Acredito que todos que leram no mínimo pararam para pensar nas suas atitudes e na sociedade na qual vivemos!
Muito bom saber que tu estás refletindo sobre isso e indo além das queixas, partindo para efetivas ações!! ;-))

Estou ansioso para saber as tuas conclusões sobre a pesquisa que estás fazendo.
Por enquanto o que achas, "esta amostragem será suficiente para se obter algumas conclusões?"
O que procuras descobrir com essa amostragem?

Um grande abraço,
Eduardo.
 
Eduardo, que bom saber que vc está ansioso para saber sobre minha pesquisa. Ainda não consegui concluí-la pois as respostas são bem abrangentes.
Abraços Virginea
 
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